Revisão - TERCEIRÃO
CasamentoHá mulheres que dizem:Meu marido, se quiser pescar, pesque,mas que limpe os peixes.Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,de vez em quando os cotovelos se esbarram,ele fala coisas como ‘este foi difícil’‘prateou no ar dando rabanadas’e faz o gesto com a mão.O silêncio de quando nos vimos a primeira vezatravessa a cozinha como um rio profundo.Por fim, os peixes na travessa,vamos dormir.Coisas prateadas espocam:somos noivo e noiva.(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)ele fala coisas como ‘este foi difícil’‘prateou no ar dando rabanadas’ (v. 8 e 9)Nesse trecho, há um recurso de coesão textual em que o termo sublinhado é retomado por meio de elipse.Esse mesmo recurso está presente em Há mulheres que dizem:” (v. 1) “mas que limpe os peixes.” (v. 3) “Coisas prateadas espocam:” (v. 15) “Por fim, os peixes na travessa,” (v. 13) “É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,” (v. 6) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:Leia o textopara responder à(s) questão(ões)a seguir.EU TENHO UM SONHOEstou contente de me reunir com vocês nesta que será conhecida como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.Há dez décadas, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos hoje, assinou a Proclamação da Emancipação. Esse magnífico decreto surgiu como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que arderam nas chamas da árida injustiça. Ele surgiu como uma aurora de júbilo para pôr fim à longa noite de cativeiro.Mas cem anos depois, o negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do negro ainda está tristemente debilitada pelas algemas da segregação e pelos grilhões da discriminação. Cem anos depois, o negro vive isolado numa ilha de pobreza em meio a um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o negro ainda vive abandonado nos recantos da sociedade na América, exilado em sua própria terra. Assim, hoje viemos aqui para representar a nossa vergonhosa condição.De uma certa forma, viemos à capital da nação para descontar um cheque. Quando os arquitetos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória da qual todos os americanos seriam herdeiros. A nota era uma promessa de que todos os homens, sim, negros e brancos igualmente, teriam garantidos os “direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à busca da felicidade”. É óbvio neste momento que, no que diz respeito aos seus cidadãos de cor, a América não pagou essa promessa. Em vez de honrar a sagrada obrigação, a América entregou à população negra, um cheque que voltou com o carimbo de “sem fundos”.No entanto, recusamos a acreditar que o banco da justiça esteja falido. Recusamos a acreditar que não haja fundos suficientes nos grandes cofres de oportunidade desta nação. E, assim, viemos descontar esse cheque, um cheque que nos garantirá, sob demanda, as riquezas da liberdade e a segurança da justiça.[...]Não ficaremos satisfeitos enquanto o negro for vítima dos inenarráveis horrores da brutalidade policial. [...] Não ficaremos satisfeitos enquanto nossos filhos forem despidos de sua personalidade e tiverem a sua dignidade roubada por cartazes com os dizeres “só para brancos”. [...] Não estamos satisfeitos e nem ficaremos satisfeitos até que “a justiça jorre como uma fonte; e a equidade, como uma poderosa correnteza”.E digo-lhes hoje, meus amigos, mesmo diante das dificuldades de hoje e de amanhã, ainda tenho um sonho, um sonho profundamente enraizado no sonho americano.Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e experimentará o verdadeiro significado de sua crença: “Acreditamos que essas verdades são evidentes, que todos os homens são criados iguais”.[...]Eu tenho um sonho de que os meus quatro filhos pequenos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. [...]KING JR., Martin Luther. Em: ABAURRE, M.L.M.; ABAURRE, M. B. M.; PONTARA, M. Português: contexto interlocução e sentido. São Paulo: Moderna, 2016. Vol. ICom relação aos aspectos de coesão textual, analise as afirmativas acerca do TEXTO 1.I. Em “Estou contente de me reunir com vocês nesta que será conhecida como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação” (1º parágrafo), o pronome grifado antecipa o substantivo a que se refere: demonstração.II. Em “Esse magnífico decreto surgiu como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que arderam nas chamas da árida injustiça” (2º parágrafo), o pronome destacado retoma a expressão “magnífico decreto”.III. No terceiro parágrafo, a repetição do substantivo “negro” prejudica a fluidez do texto. A utilização de sinônimos ou de outras estratégias poderia tornar o trecho menos prolixo.IV. Em “Quando os arquitetos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória...” (4º parágrafo), o pronome destacado retoma a expressão “arquitetos da nossa república”.V. Em “os meus quatro filhos pequenos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele” (9º parágrafo), o pronome sublinhado refere-se ao substantivo “nação” e seria gramaticalmente inadequado se retomasse qualquer outro substantivo que não representasse lugar.Estão CORRETAS, apenas, as assertivas II, III e V. I, II e III. I, IV e V. I, III e IV. II, IV e V. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Ciência é uma das formas de busca de conhecimento desenvolvida pelo homem moderno. Sob seu 1escopo 2inserem-se as mais diferentes realidades físicas, sociais e 3psíquicas, entre outras. A linguagem, manifestação presente em todos os momentos de nossas vidas e em todas as nossas atividades, podendo até ser tomada como definidora da própria natureza humana, passou a ser tratada 4sob a perspectiva5dessa forma de conhecimento, 6ou seja, passou a ser objeto de investigação científica, a partir do início do século XX. Por ter um papel central na vida dos seres humanos, a linguagem tem como sua característica 7primordial ser 8multifacetada. Tal característica exige que, ao 9submeter-se ao tratamento científico, essa realidade multifacetada sofra cortes e 10abstrações, tendo como consequência 11o fato de que 12ela só pode ser entendida 13a partir de diferentes perspectivas, gerando uma pluralidade de teorias que buscam 14compreendê-la e explicá-la.Esmeralda Vailati Negrão, “A cartografia sintática”, em Novos caminhos da linguística.3. Assinale a alternativa correta. A palavra multifacetada (ref. 8) refere-se à característica da linguagem humana de possuir diferentes particularidades. Em o fato de que ela (ref. 11), é opcional o emprego da preposição de antes de que, de acordo com a norma culta. É facultativo o emprego do acento indicador de crase na expressão a partir de (ref. 13). O pronome ela (ref. 12) estabelece relação de coesão textual catafórica com a expressão pluralidade de teorias. Pelas atuais regras ortográficas de acentuação, a palavra compreendê-la (ref. 14) pode ser escrita sem ou com acento circunflexo Apesar deNão lembro quem disse que a gente gosta de uma pessoa não por causa de, mas apesar de. Gostar daquilo que é gostável é fácil: gentileza, bom humor, inteligência, simpatia, tudo isso a gente tem em estoque na hora em que conhece uma pessoa e resolve conquistá-la. Os defeitos ficam guardadinhos nos primeiros dias e só então, com a convivência, vão saindo do esconderijo e revelando-se no dia a dia. Você então descobre que ele não é apenas gentil e doce, mas também um tremendo casca-grossa quando trata os próprios funcionários. E ela não é apenas segura e determinada, mas uma chorona que passa 20 dias por mês com TPM. E que ele ronca, e que ela diz palavrão demais, e que ele é supersticioso por bobagens, e que ela enjoa na estrada, e que ele não gosta de criança, e que ela não gosta de cachorro, e agora? Agora, convoquem o amor para resolver essa encrenca.MEDEIROS, M. Revista O Globo, n. 790, 12 jun. 2011 (adaptado).Há elementos de coesão textual que retomam informações no texto e outros que as antecipam. Nos trechos, o elemento de coesão sublinhado que antecipa uma informação do texto é “Gostar daquilo que é gostável é fácil [...]”. “[...] tudo isso a gente tem em estoque [...]”. “[...] na hora em que conhece uma pessoa [...]”. “[...] resolve conquistá-la.” “[...] para resolver essa encrenca.” TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:Considere o texto seguinte para responder à(s) questão(ões).FamíliaTrês meninos e duas meninas,sendo uma ainda de colo.A cozinheira preta, a copeira mulata,o papagaio, o gato, o cachorro,as galinhas gordas no palmo de hortae a mulher que trata de tudo.A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,o cigarro, o trabalho, a reza,a goiabada na sobremesa de domingo,o palito nos dentes contentes,o gramofone rouco toda noitee a mulher que trata de tudo.O agiota, o leiteiro, o turco,o médico uma vez por mês,o bilhete todas as semanasbranco! mas a esperança sempre verde.A mulher que trata de tudoe a felicidade.Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do Mundo.Rio de Janeiro: Record, 1999.Assinale a alternativa falsa quanto às relações de coerência textual estabelecidas no poema. Os numerais “três” e “duas”, no primeiro verso, concordam, respectivamente, com os substantivos que acompanham, funcionando como quantificadores destes; entretanto, no que toca à flexão de gênero, apenas o segundo é variável. No poema, a articulação entre as palavras, com predominância de substantivos, estabelece uma coerência que o torna inteligível e constrói um significado para o título “Família”, definindo-a em moldes patriarcais. Considerando-se, não apenas a questão sintática, mas principalmente o contexto, a conjunção “e”, no último verso de cada estrofe, pode sugerir outras relações semânticas que não a de mera adição. O adjetivo “contentes”, que modifica o substantivo “dentes”, na segunda estrofe, traduz a felicidade do homem, satisfeito em suas necessidades pessoais, como o descanso, o erotismo, o prazer do fumo, o trabalho, a religiosidade e o alimento. A conjunção “mas”, na terceira estrofe, é um conectivo que estabelece uma oposição entre “o bilhete todas as semanas branco” e “a esperança sempre verde”, ligando os substantivos “bilhete” e “esperança”, que se opõem entre si. Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir.Português no topo das línguas mais importantesA língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua materna. Quem o diz é Ofer Shoshan, um colaborador da revista norte-americana Entrepeneur, num artigo divulgado esta semana.Espanhol, português e chinês são, na opinião do autor do artigo, as línguas que “todos osdiretores executivos de empresas globais devem aprender”. A lista refere um total de 6 línguas,incluindo o russo, o árabe e o alemão.“A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, na nossa empresa, o que reflete oseu crescimento nos últimos anos”, diz Ofer, que é o diretor executivo da empresa de traduções One Hour Translations.O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligadoao Brasil e não a Portugal, já que “a economia brasileira está a deixar de ser emergente parapassar a ser uma das mais ricas do mundo, com uma população gigantesca, vastos recursosnaturais e uma forte comunidade tecnológica”.Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recentemente, um dos seus maioresarrependimentos: não falar uma segunda língua para além do inglês.Por outro lado, o autor refere o momento em que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg,“mostrou um impressionante domínio da língua chinesa, durante uma visita, em outubro passado,a uma universidade de Pequim”.“Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que dominar a língua local é fundamental paraaprofundar relações de negócio e conquistar a alma e o coração dos mercados”, diz OferShoshan.Disponível em: em:23 AdaptadoComo em todo texto, o autor utiliza diversos recursos coesivos, que colaboram para a coerência textual. Acerca desses recursos, é CORRETO afirmar que no trecho: “Quem odiz é Ofer Shoshan” (1º parágrafo), o termo destacado faz referência ao substantivo próprio que vem logo em seguida (Ofer Shoshan). o trecho: “Espanhol, português e chinês são, na opinião do autor do artigo,” (2º parágrafo)apresenta certa incoerência, já que o leitor não tem como relacionar o segmento destacado a outras partes do texto. no trecho: “A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, na nossa empresa” (3º parágrafo), a forma plural destacada foi utilizada porque o autor do texto é, também, dono da empresa mencionada. no trecho: “O autor admite, contudo,” (4º parágrafo), o segmento destacado faz referência ao fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. no trecho: “Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recentemente, um dos seus maiores arrependimentos” (5º parágrafo), a forma pronominal destacada tem como referente “Bill Gates”.