Avaliação Objetiva - Interpretação - T1000
Uma das características da modalidade falada da língua é que os falantes se sujeitam bem menos às convenções linguísticas prescritivas. Observe as falas na tirinha a seguir.Na fala "OK, Senhor. Vou estar anotando o seu problema para estar agendando a visita de um técnico", os termos em destaque revelam um uso que não está de acordo com as convenções gramaticais, que é o(a) presença marcante de estrangeirismos. emprego de uma linguagem demasiadamente erudita. uso do gerúndio de forma inadequada à norma padrão. falta de objetividade na mensagem, o que impossibilita o entendimento. ausência de tratamento individualizado. Um dos requisitos para toda produção escrita é a escolha do vocábulo. Assim, as palavras devem se adequar ao contexto em que estão inseridas . Assim , marque a frase que registra uma adequação vocabular. Os transeuntes estavam doidinhos naquela manhã ensolarada; Não se deve botar lixo na rua diariamente; O relacionamento deles está frio; Há uma perspectiva de melhora para a economia em 2018. A justiça brasileira é muito fraca. O campo lexical é responsável por um conjunto de palavras ou expressões que se referem ao mesmo domínio da realidade. Na questão abaixo , marque a alternativa que todas palavras pertençam ao mesmo campo. Camisa - meia - vestido - cama Biblioteca - quadro - livros – cadernos Estádio - vestuário – jogador – boné Pinheiros – carvalhos – cabra - bode Cavalete - exposição – tela – árbitro Assum pretoTudo em vorta é só belezaSol de abril e a mata em frôMas assum preto, cego dos óioNum vendo a luz, ai, canta de dorTarvez por ignorançaOu mardade das pióFuraro os óio do assum preto Pra ele assim, ai, cantá mióAssum preto veve sortoMas num pode avuáMil veiz a sina de uma gaiolaDesde que o céu, ai, pudesse oiáGONZAGA, L.; TEIXEIRA, H. Disponível em: www.luizgonzaga.mus.br.Acesso em: 30 jul. 2012 (fragmento).As marcas da variedade regional registradas pelos compositores de Assum preto resultam da aplicação de um conjunto de princípios ou regras gerais que alteram a pronúncia, a morfologia, a sintaxe ou o léxico. No texto, é resultado de uma mesma regra a pronúncia das palavras "vorta" e "veve". pronúncia das palavras "tarvez" e "sorto". flexão verbal encontrada em "furaro" e "cantá". redundância nas expressões "cego dos óio" e "mata em frô". pronúncia das palavras "ignorança" e "avuá". Entrevista com Marcos Bagno Pode parecer inacreditável, mas muitas das prescrições da pedagogia tradicional da língua até hoje se baseiam nos usos que os escritores portugueses do século XIX faziam da língua. Se tantas pessoas condenam, por exemplo, o uso do verbo “ter” no lugar de “haver”, como em “hoje tem feijoada”, é simplesmente porque os portugueses, em dado momento da história de sua língua, deixaram de fazer esse uso existencial do verbo “ter”. No entanto, temos registros escritos da época medieval em que aparecem centenas desses usos. Se nós, brasileiros, assim como os falantes africanos de português, usamos até hoje o verbo “ter” como existencial é porque recebemos esses usos de nossos ex-colonizadores. Não faz sentido imaginar que brasileiros, angolanos e moçambicanos decidiram se juntar para “errar” na mesma coisa. E assim acontece com muitas outras coisas: regências verbais, colocação pronominal, concordâncias nominais e verbais etc. Temos uma língua própria, mas ainda somos obrigados a seguir uma gramática normativa de outra língua diferente. Às vésperas de comemorarmos nosso bicentenário de independência, não faz sentido continuar rejeitando o que é nosso para só aceitar o que vem de fora. Não faz sentido rejeitar a língua de 190 milhões de brasileiros para só considerar certo o que é usado por menos de dez milhões de portugueses. Só na cidade de São Paulo temos mais falantes de português que em toda a Europa!Informativo Parábola Editorial, s entrevista, o autor defende o uso de formas linguísticas coloquiais e faz uso da norma padrão em toda a extensão do texto. Isso pode ser explicado pelo fato de que ele adapta o nível de linguagem à situação comunicativa, uma vez que o gênero entrevista requer o uso da norma padrão. apresenta argumentos carentes de comprovação científica e, por isso, defende um ponto de vista difícil de ser verificado na materialidade do texto. propõe que o padrão normativo deve ser usado por falantes escolarizados como ele, enquanto a norma coloquial deve ser usada por falantes não escolarizados. acredita que a língua genuinamente brasileira está em construção, o que o obriga a incorporar em seu cotidiano a gramática normativa do português europeu. defende que a quantidade de falantes do português brasileiro ainda é insuficiente para acabar com a hegemonia do antigo colonizador. Poema retirado do Livro de Sonetos, de Vinicius de Moraes (São Paulo: Companhia das Letras, 2009).Na terceira estrofe (v. 9-11), a seleção vocabular evidencia a passagem de um estado emocional a outro por parte do poeta.A partir dessa seleção, os estados emocionais por que passa o poeta podem ser definidos como: cíclicos hesitantes exagerados antagônicos independentes Oração no Saco de MangaratibaNossa Senhora me dê paciênciaPara estes mares para esta vida! Me dê paciência pra que eu não caiaPra que eu não pare nesta existênciaTão mal cumprida tão mais compridaDo que a restinga de Marambaia!...No poema acima, há uma seleção vocabular que imprime um jogo semântico com sabor de trocadilho e que intensifica, na relação binária das semelhanças sonoras, a força poética do texto. Trata-se de Para estes mares para esta vida! Nossa Senhora me dê paciência. ...que eu não caia... que eu não pare... Tão mal cumprida tão mais comprida. Saco de Mangaratiba / restinga de Marambaia. Ai, palavras, ai, palavrasque estranha potência a vossa!Todo o sentido da vidaprincipia a vossa porta:o mel do amor cristalizaseu perfume em vossa rosa;sois o sonho e sois a audácia,calúnia, fúria, derrota...A liberdade das almas,ai! Com letras se elabora...E dos venenos humanossois a mais fina retorta:frágil, frágil, como o vidroe mais que o aço poderosa!Reis, impérios, povos, tempos,pelo vosso impulso rodam...MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 (fragmento).O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio histórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a linguagem: A força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras. As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu equilíbrio vinculado ao significado das palavras. O significado dos nomes não expressa de forma justa e completa a grandeza da luta do homem pela vida. Renovando o significado das palavras, o tempo permite às gerações perpetuar seus valores e suas crenças. Como produto da criatividade humana, a linguagem tem seu alcance limitado pelas intenções e gestos. Entre as afirmativas abaixo, atribuídas a jogadores de futebol de diversas épocas, apenas uma apresenta deslize da norma padrão diferente da inadequação vocabular comum às demais. Identifique-a. Na Bahia, é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar. Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe. Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida de ser humano. O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo à frente. O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável. De domingo–– Outrossim...–– O quê?–– O que o quê?–– O que você disse.–– Outrossim?–– É.–– O que é que tem?–– Nada. Só achei engraçado.–– Não vejo a graça.–– Você vai concordar que não é uma palavra de todos os dias.–– Ah, não é. Aliás, eu só uso domingo.–– Se bem que parece mais uma palavra de segunda-feira.–– Não. Palavra de segunda-feira é “óbice”.–– “Ônus”.–– “Ônus” também. “Desiderato”. “Resquício”.–– “Resquício” é de domingo.–– Não, não. Segunda. No máximo terça.–– Mas “outrossim”, francamente...–– Qual o problema?–– Retira o “outrossim”.–– Não retiro. É uma ótima palavra. Aliás é uma palavra difícil de usar. Não é qualquer um que usa “outrossim”.VERISSIMO, L. F. Comédias da vida privada.Porto Alegre: LPM, 1996 (fragmento).No texto, há uma discussão sobre o uso de algumas palavras da língua portuguesa. Esse uso promove o(a) marcação temporal, evidenciada pela presença de palavras indicativas dos dias da semana. tom humorístico, ocasionado pela ocorrência de palavras empregadas em contextos formais. caracterização da identidade linguística dos interlocutores, percebida pela recorrência de palavras regionais. distanciamento entre os interlocutores, provocado pelo emprego de palavras com significados pouco conhecidos. inadequação vocabular, demonstrada pela seleção de palavras desconhecidas por parte de um dos interlocutores do diálogo.